Parar, repensar, reajustar e seguir caminho. Parte I.


O tratamento de choque das sociedades contemporâneas é nada mais nada menos do que um vírus que expôs todos os avanços civilizacionais que a humanidade conquistou durante a sua história.

Em casa, confinados ao espaço da nossa habitação, vimo-nos confrontados com o inimaginável. Fomos apanhados desprevenidos. Não estávamos preparados como sociedade, não estávamos preparados como indivíduos.

São muitas as análises e pontos de vistas sobre esta crise. Uma crise que, igual a muitas outras, no sentido mais lato do termo, despoletou desafios e oportunidades para os Estados, Organizações e Pessoas. Nunca, como agora, foi tão importante discernir prudência de medo, para que possamos sair, em conjunto, desta fase de “emergência”.

O vírus veio acelerar processos e metodologias, rompeu paradigmas de muitos setores, obrigou, forçosamente, outros a ajustar os seus modelos de negócio para se manterem relevantes e “sobreviver” numa economia cada vez mais voraz. Já todos conheciam as valências da tecnologia, mas poucos as utilizavam numa base diária. Já todos entendiam as potencialidades, mas poucos as aproveitavam para gerar lucro e sustentar o negócio.

Os pequenos negócios, por forma a competirem com as grandes organizações, colocavam margens mínimas nos seus produtos e serviços, sem nunca investir no valor acrescentado. Agora, perante um terramoto civilizacional, ficaram sem teto e alicerces para se reerguerem. O Estado não pode apoiar todos os setores. Não pode, nem deve. Há indústrias que estão condenadas à extinção, pelo que um choque assimétrico de grande magnitude, como este, apenas veio acelerar o seu término.

Este é o momento para tomar decisões importantes para o futuro das economias e da sustentabilidade do planeta. A História diz-nos que, após grandes crises, só há uma forma de reanimar a atividade e alavancar a economia – investimento público, criterioso.

É preciso dotar os empresários de novas técnicas de gestão e de comunicação. É imprescindível ensinar o digital, não o software, mas o pensamento. Encará-lo como uma ferramenta para melhorar o negócio e a relação com o cliente. Big data, Blockchain, Internet of Things, Artificial Intelligence, chavões que servem para narrativas elitistas que deixam de fora os infoexcluídos e não permitem a real convergência entre os diferentes estratos da população. Antes de passarmos para o 5G, temos de garantir que todos percebem as vantagens do 4G, por exemplo.

Quando a Comissão Europeia liderou pelo exemplo e anunciou o Grean Deal, foram muitas as vozes que se ergueram para aplaudir a iniciativa europeia. Hoje, as mesmas personalidades dizem que é preciso colocar em stand-by o desígnio da descarbonização e priorizar o apoio à economia. Pois bem, não existe qualquer incompatibilidade, antes pelo contrário.

A comunicação assume um papel preponderante na conexão entre gerações e estratos sociais. Será necessário transmitir as mensagens-chave para dentro e para fora das organizações, de maneira a que todos possam estar alinhados e remarem para o mesmo lado.

A digitalização e a transição energética caminham lado a lado e fazem parte da solução, não desperdicemos a oportunidade de canalizar o investimento para os pilares do futuro.


Diogo Vasconcelos

With a background in Communication Sciences, Economics and Technology, began its career at Portugal Ventures (Most active Venture Capital in Portugal), where he had the opportunity to develop the communication of the institution, as well as all invested companies (mainly Startups SaaS) in order to attract international investors to new rounds of financing or successful Exit's. At ATREVIA since 2018, he has worked clients such as IFD (KfW's Congénere) and was one of the architects of one of the largest entrepreneurship and technology events in Portugal – Startup Capital Summit

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