Como ser uma marca esférica?


A inovação é um dos principais alicerces da comunicação.  Os dados falam por si e são vários os exemplos que mostram as mudanças na forma como trabalhamos, vivemos e comunicamos. Um estudo desenvolvido pela Online Business School indica que, em todo o mundo e apenas num minuto, são enviados 204 milhões de e-mails, são criadas 100 novas contas de LinkedIn e são descarregadas 37 mil apps. Por outro lado, é bem conhecido o fenómeno dos youtubers: hoje são reconhecidos como comunicadores capazes de chegar, da forma mais eficaz, aos mais jovens que compõem a Geração Z.

Chegou o auge da nova era da comunicação, que deixa de ser apenas cara a cara, mas também, e principalmente, através da tecnologia. O sucesso está precisamente na capacidade de ouvir e conhecer o mundo global em que vivemos ‒ onde não há fronteiras entre as plataformas ‒ e de responder aos desafios que se colocam diariamente.

Mas o processo não é simples. Muitas marcas mais tradicionais são resistentes à inovação, por temerem o desconhecido, que foge à “zona de conforto” da estratégia de comunicação que seguem, há anos. Por isso mesmo, este é um desafio apenas para marcas que arriscam e pretendem elevar o posicionamento no mercado, diferenciar-se da concorrência e criar impacto no consumidor. A primeira regra é a mais importante: serem marcas disruptivas, com vontade de integrar a inovação e as novas tendências na estratégia global da organização.

É aqui que surge um novo conceito: as marcas esféricas. Sem lados, vértices ou arestas, traduzem uma nova forma de comunicar e de entender os diferentes públicos, envolvendo-os com mensagens autênticas e personalizadas. As marcas esférias são aquelas que capazes de se diferenciar, porque transformam e são apaixonantes e surpreendentes, sempre fiéis à sua natureza.

Qualquer marca que aposte na inovação e queira investir na mudança pode converter-se numa marca esférica. Como? O primeiro passo já está assegurado acima. O segundo passa necessariamente por trabalhar desde o coração da “esfera”, isto é, da essência da marca. A partir daqui, é importante chegar à mensagem que se quer lançar e transformá-la num “rádio”, que emite para o público-alvo, de uma forma original, emocional e única. O paralelismo é evidente, e quer-se a mesma ligação com as “vozes”, ansiosamente esperadas pelos ouvintes, no apogeu das rádios emissoras.

O que se pretende é um equilíbrio entre os valores e as mensagens, ações diferenciadoras e mensagens originais, sem barreiras entre o online e o offline. As marcas esféricas são aquelas que possuem volume, resultados tangíveis, com indicadores de notoriedade e que permitem assegurar o êxito de cada ação de comunicação.

Este é um caminho apenas para quem gosta de desafios. A meta é o êxito.

 

 


Filipa Primo

Atualmente assume a direção adjunta da consultora em Portugal, coordenando a área global de Marcas (comunicação de consumo, saúde, eventos, comunicação online, design e audiovisual) e os Recursos Humanos da agência.

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